Minha jornada com IA: do ChatGPT em 2023 ao caos criativo de 2026
Como eu saí de um chat de perguntas e respostas para um workflow inteiro de desenvolvimento com agentes — Cursor, Claude Code, Pi.dev, Conductor — e por que 2026 é o ano de reconstruir a forma de programar.

Quando abri o ChatGPT pela primeira vez, em 2023, eu não fazia ideia de que estava começando a trocar de profissão sem trocar de cargo.
Continuei sendo "dev". Mas a forma de ser dev mudou por completo nos três anos seguintes.
Este post é o mapa dessa transição: as ferramentas, os saltos, e — mais importante — o que faltava em cada uma que me empurrou para a próxima.
2023 — ChatGPT: o primeiro "isso muda tudo"
No começo era só uma caixa de texto. Eu colava um erro, pedia uma regex, mandava traduzir um trecho de documentação.
Era útil, mas era um oráculo desconectado: ele não via meu código, não via meu projeto, não via meu terminal. Eu era o copia-e-cola humano no meio do caminho.
Mesmo assim, ficou claro logo de cara que a régua tinha mudado. A pergunta deixou de ser "consigo fazer isso?" e virou "quão rápido consigo fazer isso?".
Na mesma época comecei a usar Grok e Gemini como chats paralelos — menos para código, mais para pesquisa, comparar respostas e sair da bolha de um único modelo.
2022–2024 — GitHub Copilot: a IA morando dentro do editor
Antes do Cursor, minha IA dentro do editor era o GitHub Copilot — e fiquei nele por cerca de dois anos. Ele tirou o assistente da aba do navegador e botou dentro do VS Code: autocomplete em ghost-text que terminava a linha, a função, o próximo bloco óbvio enquanto eu digitava.
Só isso já matou boa parte do vai-e-vem de copia-e-cola com o ChatGPT. Mas a janela do Copilot era estreita: ele enxergava basicamente o arquivo aberto e um pouco do contexto ao redor. Era um autocomplete genial, não algo que entendia o projeto.
Meio de 2024 — Cursor: o repositório inteiro como contexto
O salto pra Cursor foi o que quebrou de vez o teto de vidro do copia-e-cola.
De repente a IA enxergava o repositório inteiro. E o momento exato em que eu saquei o poder disso foi no projeto Switch Care: uma migração de componentes e da biblioteca de UI num app React Native.
Esse tipo de migração normalmente é um inferno arqueológico — você gasta dias só mapeando o que existe, quem usa o quê, onde cada componente está acoplado. Com o Cursor, a gente mapeou rápido e migrou rápido. O que seria uma força-tarefa de semanas virou uma questão de dias.
Foi ali que a ficha caiu de vez: IA não é autocomplete turbinado. É alavanca de contexto.
E não era só meu entusiasmo me empurrando. Ainda em 2024 ouvi um chefe dizer, num projeto, que quem não usasse IA para ser 20x mais produtivo estaria fora do mercado. Na hora soou como puro exagero. Olhando pra trás, a direção estava certa mesmo que o número fosse só slogan: a régua do que se espera uma pessoa entregar tinha mudado, e não tinha mais volta.
Janeiro de 2026 — Claude Code: do editor para o agente
O Cursor me ensinou a programar com IA dentro do editor. O Claude Code me ensinou a programar delegando para a IA.
A diferença é sutil no papel e brutal na prática. Deixei de pilotar cada linha e passei a descrever objetivos, deixar o agente rodar comandos, ler arquivos, abrir PRs — e revisar o resultado como quem revisa o trabalho de alguém, não como quem digita tudo.
Foi a primeira vez que o terminal virou a interface principal de novo. Voltar ao terminal, depois de anos de GUI, foi estranhamente libertador.
Fevereiro de 2026 — Pi.dev: parando de apostar em um modelo só
Logo na sequência entrou o Pi.dev, e com ele ganhei o hábito de rodar a mesma tarefa em mais de um agente.
A lição aqui não foi sobre uma ferramenta específica — foi sobre parar de ser monogâmico com um único agente. Modelos diferentes têm temperamentos diferentes: um é melhor pra refatorar, outro pra explorar, outro pra escrever do zero. Rodar tarefas em mais de um e comparar virou rotina.
Abril de 2026 — Conductor: vários agentes ao mesmo tempo
O Conductor mudou a unidade de trabalho. Não é mais "eu + um agente". É eu orquestrando vários agentes em paralelo, cada um no seu workspace isolado, atacando frentes diferentes do mesmo problema.
A sensação deixa de ser de "programador" e passa a ser de tech lead de um time que não dorme. O gargalo não é mais digitar código — é decidir o que vale ser feito e revisar bem o que volta.
Agosto de 2025 — o multimodal entra em cena
Em paralelo a essa evolução de coding, a partir de agosto de 2025 o multimodal virou parte do trabalho, não enfeite.
Comecei a gerar imagem e vídeo de verdade — Nano Banana, Veo, Luma, ComfyUI para pipelines locais. Capa de post, thumbnail, protótipo visual, social: coisas que antes dependiam de terceiros ou de horas no editor passaram a sair em minutos.
Gerar é a parte fácil. O trabalho de verdade migrou para direção de arte — saber o que pedir, o que recusar, e qual versão presta.
2026 — o ano de construir o melhor workflow
E aqui chegamos no presente, que é uma bagunça gloriosa.
Hoje meu núcleo é Claude Code + Codex, com Opus e GPT-5.5 — e o hábito de puxar sempre o melhor modelo primeiro. Mas ainda estou construindo o workflow perfeito pra mim, e 2026 é o ano de explorar fundo: harness, orquestração, skills, Hermes, OpenClaw e tudo mais que aparecer. Testar muita coisa, mas sempre entregando algo de valor no meio do caminho.
O que mudou foi até a natureza do que eu testo. Como fullstack dev, minha preocupação era testar frameworks e libs. Agora são agentes, ferramentas, modelos — cloud, local, VPS, tudo ao mesmo tempo. É outro tabuleiro.
Porque é disso que se trata 2026: o ano de construir o melhor fluxo de desenvolvimento da minha vida.
O estilo "VS Code + mil extensões" cumpriu seu papel, mas ficou para trás — e, graças a Deus, bora evoluir. As ferramentas estão cada vez mais consolidadas, e a base agora é boa o bastante para a gente parar de remendar e começar a redesenhar.
O custo emocional (que ninguém coloca no roadmap)
Não vou romantizar: haja ansiolítico para tanta mudança.
A fadiga de ferramenta é real. Toda semana tem um agente novo, um modelo novo, um paradigma novo. É fácil sentir que você está sempre atrasado, sempre re-aprendendo, sempre migrando.
Mas a alternativa — parar — é pior. Então a escolha é adaptar, vencer e viver essa mudança. Não como vítima da maré, e sim como quem aprende a surfar.
E tem o contrapeso que eu não posso perder de vista: a mesma coisa que dá ansiedade é o que empolga. Mas bora com calma. A vida fora da máquina é mais importante — família, filho, gente. No fim, é tecnologia pra resolver a vida das pessoas, não tecnologia pra resolver tecnologia.
O que eu levo dessa jornada
- A ferramenta importa menos que a postura. A cada salto, o que mudou de verdade foi onde eu coloco minha atenção: menos digitação, mais direção.
- Contexto é a alavanca. ChatGPT sem contexto → Copilot dentro do editor → Cursor com o repositório inteiro → agentes com terminal e PRs. A linha evolutiva inteira é sobre dar mais contexto à IA.
- Não case com uma ferramenta. Use várias, compare, deixe a melhor vencer para o seu caso.
- Direção de arte e revisão são as novas habilidades core. Gerar virou commodity; julgar bem, não.
De 2023 a 2026, não troquei de carreira. Mas a pessoa que abriu aquele primeiro chat e a que orquestra um time de agentes hoje são, na prática, dois profissionais diferentes.
E a parte boa? A jornada está só começando.
26 de maio de 2026 · Brazil