O MacBook e a distro minimalista: por que 2026 é o ano de testar ferramentas de IA
Uma resposta ao Akita sobre oh-my-pi e OpenCode. A analogia com Linux funciona — mas talvez Claude Code seja o MacBook, e o Pi a distro minimalista que você admira mas não consegue manter.

Semana passada li o post do Akita sobre primeiras impressões com oh-my-pi e OpenCode e bateu aquela coceira de responder. Não por discordar — pelo contrário. Ele colocou em palavras uma coisa que eu já vinha remoendo na prática desde que escrevi sobre a minha jornada com IA de 2023 a 2026.
Se aquele post era a história, este aqui é o capítulo seguinte: o que eu faço, hoje, no meio do furacão de ferramentas.
Tem um trecho do Akita que resume bem o espírito da coisa:
"A analogia com Linux ajuda. Eu não uso Linux porque é 'grátis'. Uso porque, pra mim, é a melhor ferramenta pro trabalho. As alternativas não chegam perto no meu fluxo. Mas isso não quer dizer que todo iniciante deveria largar Windows ou macOS amanhã e montar Arch na unha."
Eu já tinha chegado nessa analogia — só que pelo lado oposto
O engraçado é que, antes de ler o Akita, eu já tinha pensado nessa comparação com Linux. Só que o meu final era diferente.
Pra mim, Claude Code e o Codex são o MacBook de hoje. São a ferramenta cara, polida, que simplesmente funciona — e é por isso que a gente programa nelas, do mesmo jeito que a gente programa em MacBook em vez de montar a máquina na unha. Já o Pi é a distro minimalista: linda na filosofia, enxuta, com um valor real pra quem quer entender e moldar cada camada. Mas é cara de manter quando o que você precisa é velocidade.
E é aí que a analogia vira do avesso. O Akita usa Linux porque, no fluxo dele, é a melhor ferramenta pro trabalho. Eu uso MacBook pra programar pela razão exatamente oposta: porque não quero gastar meu tempo mantendo o ambiente. Quero abrir e trabalhar. As duas posições estão certas — elas só dependem de onde está o seu gargalo.
Eu tentei adotar o Pi de verdade
Isso não é teoria de quem viu de longe. Testei o pi.dev e achei a filosofia muito boa. Cheguei a querer me aventurar e deixar ele como ferramenta principal, montando meu próprio harness em cima dele. A ideia de ter um agente minimalista, transparente, feito do meu jeito, é genuinamente sedutora — ainda mais pra quem, como eu, virou meio que tech lead de agentes no último ano.
Mas esbarrei na realidade do dia a dia: eu preciso do trampo pronto hoje, e com um monte de tecnologia e ferramenta de IA nova pra explorar ao mesmo tempo. Montar e manter meu próprio harness é um projeto à parte — e um projeto que compete diretamente com o trabalho de verdade. Depois de um tempo testando, larguei mão. Não porque o Pi seja ruim, mas porque a conta do custo de oportunidade não fechava pra mim, naquele momento.
E essa é justamente a parte que o Akita acerta em cheio: a ferramenta certa é a que encaixa no seu fluxo, não a que ganha no benchmark nem a que está bombando no Twitter.
O que está, de fato, no meu setup hoje
Já que é pra ser concreto — e o Akita reclama, com razão, da falta de concretude nas recomendações por aí —, vou abrir o jogo do meu setup atual:
- Claude Code — nem se fala. É a base. É o MacBook.
- Cursor — gostei bastante de usar e tive bons resultados. No meu blog pessoal, o calcanhar de Aquiles continua sendo geração de imagem, e ali o Cursor me rendeu resultados melhores. O GPT-5.5 também me ajuda bastante nesse tipo de tarefa.
- Conductor como "IDE" — hoje rodo Opus 4.7~4.8 e GPT-5.5 dentro dele, usando git worktree pra tocar várias frentes em paralelo. O Conductor é absurdamente bom pra coisas "no code": blog post, material de estudo em Markdown, e uma pasta de carreira onde vou jogando texto e HTML solto. A produtividade nesse tipo de trabalho é de outro nível.
- Zed — estou testando como editor de código pra quando preciso de algo mais direto e leve.
Repare que não é "uma ferramenta". É um conjunto, cada uma puxando uma parte do fluxo. E esse conjunto muda mês a mês — o que pra mim já deixou de ser sintoma de indecisão e virou método.
O detalhe pequeno que faz diferença grande: notificação
Uma coisa que recomendo experimentar é o cmux. O motivo parece bobo, mas mudou meu fluxo: ele notifica com som e com notificação quando um agente termina o trabalho. Quando você tem vários agentes rodando em paralelo, saber quando um terminou sem ficar de babá no terminal é o que separa multitarefa de verdade de ficar trocando de janela feito louco. Os outros terminais rodando Claude Code não faziam isso pra mim.
O outro atrito clássico é o Claude Code parando pra pedir permissão a cada passo. Pra isso eu tenho um alias clauded que roda sem ficar pedindo confirmação. Perde-se um pouco de rede de segurança, ganha-se muito em fluidez — desde que você confie no que está pedindo.
A tese: 2026 é o ano de testar ferramentas
O Akita defende que não existe ferramenta universalmente superior, e que a escolha depende do caso de uso concreto. Eu assino embaixo — e vou um passo além:
2026 é o ano de testar ferramentas pra descobrir qual encaixa melhor no seu fluxo de trabalho.
Não é o ano de cravar a stack definitiva. É o ano de experimentar Pi, OpenCode, Cursor, Claude Code, Conductor, Zed, cmux — e descobrir, na prática, onde está o seu gargalo. Pra um, é controle e transparência, e o Pi brilha. Pra outro, é velocidade e "trampo pronto hoje", e o MacBook das ferramentas ganha.
A analogia com Linux ajuda mesmo. Só que ela não termina em "use Linux" nem em "use macOS". Ela termina assim: descubra qual é a melhor ferramenta pro seu trabalho — e tenha a humildade de aceitar que a resposta do colega ao lado vai ser diferente, e que tudo bem.
Não vou romantizar: testar ferramenta o tempo todo cansa. Mas, por enquanto, surfar essa maré ainda está valendo mais a pena do que fingir que o mar parou.
Escrito por IA e revisado por Thiago Marinho.
Escrito por IA, revisado por Thiago Marinho
10 de maio de 2026 · Brazil